Golpe: faltava o controle da mídia
A DITADURA (civil/militar) calou a mídia cooptando donos de jornais, filtrando patrocínio, censurando textos, prendendo e matando articulistas contrários.
O velho PMDB e o cambaleante PSDB, compraram o apoio da mídia e garantiram uma convivência pacífica contratando publicidade por preço de tabela (dez vezes o valor pago pelo mercado), em troca da "chapa branca".
O COLLOR, não existia partido, produto da Rede Globo, enquanto se submeteu ao patrão teve seu governo glamourizado pela maior empresa de comunicação à época. Soberbo, pensou que podia voar sozinho, foi destruído por seus próprios pecados e pelo fabricante do Frankstein, insatisfeito com a insubordinação do filhote de ditador, que havia se aproximado de Brizola, inimigo histórico do Plin Plin.
O PT, cujo discurso puritano resistiu até o mensalão, refém das suas práticas espúrias e das raposas do Congresso, abandonou as teses fundantes e negociou à exaustão concessões ao capital nacional e internacional, em prejuízo do caixa do governo. Esgotado e fragilizado politicamente, sem sustentação ética nem doutrinária, tentou calar a mídia via legislação restritiva (censura), e não conseguiu.
O "novo" PMDB, partido sem projeto e comprometido com a corrupção, aposta em estruturas parasitárias para sugar o erário (maiorias oportunistas no Senado e na Câmara Federal). Liderados pelo golpista esperto, com uma tacada assumiu o caixa destinado à publicidade e passa a conduzir as contas governamentais diretamente com as "grandes" empresas de comunicação, visando manipular a opinião pública.
Penso que o maquiavélico aprendiz de presidente cometeu o seu primeiro erro estratégico...
Depois de comprar a liberdade no Congresso e evitar a persecução penal com o dinheiro do próprio povo, sem caixa, investe no silêncio da mídia com verba já provisionada (1,6 bilhões de reais), em favor da conta de publicidade do governo.
A imprensa, outrora reduto de teses libertárias e instrumento de transformação efetiva das sociedades modernas, sucumbiu ao capital (dependência de patrocínio e alinhamento "ideológico") e hoje é braço forte dos donos do poder político e financeiro.
As empresas de comunicação reagiram imediatamente pois não suportam negociar com o governo. Como quarto poder, estão habituadas a impor suas condições, vendem caro seu apoio e costumam trocar de lado quando são pressionadas.
Mais, despreza o afoito chefão, a dinâmica e a força imensurável das redes sociais, fenômeno que já se mostrou capaz de derrubar pretensões totalitárias e governos corruptos.
Por outro lado, o mercado de comunicação está diluído e extremamente compartilhado, ao contrário do período ditatorial onde, na base da força e do financiamento governamental na expansão da Rede Globo, houve uma brutal concentração do discurso único.
Do embate entre as grandes redes de comunicação e o trio usurpador instalado no Planalto, seguramente vai iniciar o degelo do governo ilegítimo, motivo pelo qual, aposto em jornalistas independentes possuidores de um caráter inquebrantável e comprometidos com a ética jornalística, que darão a contribuição que o nosso país tanto precisa e espera dos seus filhos.
DESOBEDIÊNCIA CIVIL COMO AÇÃO E NÃO VIOLÊNCIA COMO REAÇÃO