República Árabe Saharaui Democrática


O POVO QUE O MUNDO ESQUECEU


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Bem-vindos ao blog phoenixsaharaui.blogspot.com.br


A criação deste espaço democrático visa: divulgar a causa Saharaui, buscar o reconhecimento pelo Brasil da República Árabe Saharaui Democrática e pressionar a União Européia, especialmente a Espanha, a França e Portugal, mais os EUA, países diretamente beneficiados pela espoliação dos recursos naturais do povo Saharaui, para retirarem o apoio criminoso aos interesses de Mohammed VI, Rei do Marrocos, e com isto permitir que a ONU prossiga no já tardio processo de descolonização da Pátria Saharaui, última colônia na África.


Membro fundador da União Africana, a RASD é reconhecida por mais de 82 nações, sendo 27 latino-americanas.


Nas páginas que seguem, você encontrará notícias do front, artigos de opinião, relato de fatos históricos, biografias de homens do porte de Rosseau, Thoreau, Tolstoy, Emersom, Stuart Mill e outros que tiveram suas obras imortalizadas - enxergaram muito além do seu tempo - principalmente em defesa da Liberdade.


"Liberté, Égalité, Fraternité", a frase que embalou tantos sonhos em busca da Liberdade, é letra morta na terra mãe.


A valente e obstinada resistência do povo Saharaui, com certeza encontraria em Jean Molin - Herói da resistência francesa - um soldado pronto para lutar contra a opressão e, em busca da Liberdade, morrer por sua Pátria.


A Literatura, a Música, a Pintura e o Teatro Saharaui estarão presentes diariamente nestas páginas, pois retratam fielmente o dia-a-dia deste povo, que a despeito de todas as adversidades, em meio a luta, manteve vivas suas tradições.


Diante do exposto, rogamos que o nosso presidente se afaste da posição de neutralidade, mas que na verdade favorece os interesses das grandes potências, e, em respeito a autodeterminação dos povos estampada como preceito constitucional, reconheça, ainda em seu governo, a República Árabe Saharaui Democrática - RASD.


Este que vos fala não tem nenhum compromisso com o erro.


Se você constatar alguma imprecisão de datas, locais, fatos, nomes ou grafia, gentileza comunicar para imediata correção.


Contamos com você!


Marco Erlandi Orsi Sanches


Porto Alegre, Rio Grande do Sul/Brasil

domingo, 10 de junho de 2012

HAITI - O PREÇO DA LIBERDADE

Revolução Negra

A independência do Haiti, influenciada pela Revolução Francesa, é considerada a única revolta de escravos bem-sucedida desde a Antigüidade clássica. Esse capítulo da história enche de orgulho os afro-descendentes latino-americanos, como símbolo da abolição.

Na época, provocou temor nas nações escravocratas – Estados Unidos, Brasil e Cuba

por Aloisio Milani

O trabalho na cana era extenuante e desumano. Por décadas, a colônia francesa de São Domingos sustentou um dos mais lucrativos negócios do Novo Mundo com o chicote apontado para o corpo dos escravos africanos.

Os negros cavavam valas para o plantio das mudas, cuidavam dos brotos, zelavam pelo crescimento, faziam a colheita e toda a fabricação do açúcar. Os lucros dependiam da exploração do trabalho.

A manutenção da escravidão pelos donos de engenho se baseava em castigos brutais e tinha um nível de perseguição implacável.

Os relatos da época descreviam que as punições das chibatas eram mais comuns do que receber comida. Mutilavam-lhes membros, orelhas e genitais; faziam-nos comer excrementos; amarravam-lhes grilhões e blocos de madeira; prendiam-nos a postes fincados no chão.

A tortura sistemática originava, não sem razão, uma sede de vingança. E este foi um dos motivos da revolta que seria iniciada em 1791 e conformou a única rebelião vitoriosa de escravos desde a Antigüidade clássica.

A independência do Haiti, proclamada em 1804, só nasceu por causa dela. Na ilha de Ahti – como os índios descreveram a região montanhosa para Cristóvão Colombo em 1492 –, o período colonial deixaria as marcas de genocídios, torturas e escravizações desde fins do século XV.

A população nativa foi dizimada. Passou de aproximadamente meio milhão para cerca de 60 mil em rápidos 15 anos. Enquanto os espanhóis deixavam parte do território à medida que acabava a riqueza das minas de ouro, os franceses passavam a ocupar o norte da ilha. Em 1697, a Espanha reconheceu a soberania da França nas terras. A partir daí, o empreendimento dos colonizadores foi a cana-de-açúcar produzida pelas mãos dos escravos. São Domingos era um oásis exponencialmente lucrativo para a burguesia marítima, responsável pelo tráfico negreiro, e para os produtores de açúcar. Cerca de 20 anos antes da revolta, a colônia começou a viver a apoteose. Exportava 35 mil toneladas de açúcar bruto e 25 mil toneladas de açúcar branco. A elite branca ostentava mais e mais. Entre 1783 e 1789, a produção quase dobrou. E a colônia não avançava sem os escravos. Ingleses, espanhóis, portugueses e franceses seqüestravam africanos aos milhões. Apesar de o poder estar com a nobreza, a burguesia francesa se transformou na maior força econômica da nação, cujas riquezas eram a produção colonial e o tráfico negreiro. Em São Domingos, entre 1764 e 1771, importava-se uma média anual de 10 mil escravos. De 1787 em diante, eram mais de 40 mil por ano. Os africanos que chegavam escravizados eram sobreviventes: os negros enfrentavam uma viagem transatlântica pela Rota do Meio como cargas selvagens de um traficante.

Não raro, quase um quarto dos escravos transportados morria dentro dos navios pelas péssimas condições de alimentação e higiene. Quando chegavam aos portos, eram examinados, comprados e queimados com ferro em brasa em cada lado do peito para identificar seu dono. Os maus tratos que se seguiam estimulavam juras de contra-ataque. Algumas delas eram proferidas nos rituais noturnos de vodu, sincretismo dos rituais africanos com o catolicismo.

OS INIMIGOS BRANCOS

Em creoule, dançavam e gritavam canções ameaçadoras, registra o escritor Cyril Lionel Robert James. “Ê! Ê! Bomba! Heu! Heu! Canga, bafio té! Canga, mauné de lé! Canga, do ki la! Canga, li!” A tradução seria algo como: “Juramos destruir os brancos e tudo o que possuem; que morramos se falharmos nesta promessa”. Tal qual o Brasil pré-abolicionista, também havia quilombos organizados nas montanhas haitianas para montar uma resistência contra a escravidão.

O mais temido foi o líder Mackland. Negro da Guiné, ele era um visionário, grande orador e se dizia imortal com os poderes do vodu. Tinha seguidores aos montes. Em 1758 planejou envenenar a água das casas dos brancos para libertar os escravos. Foi traído, capturado e queimado vivo. Essa história, que mais parece invenção, virou até mote para livro do realismo fantástico latino-americano – O reino deste mundo, do cubano Alejo Carpentier.

Mas o rancor dos maus-tratos não foi a única razão para a eclosão das revoltas de 1791. Os ecos dos ideais iluministas da Revolução Francesa de 1789 reboaram na colônia. Sob o lema “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”, o marco histórico europeu derrubou valores do absolutismo e acendeu idéias burguesas. A abolição dos escravos era defendida, apesar de ser o sustentáculo da burguesia marítima. A Inglaterra, que havia perdido sua colônia na América do Norte com ajuda dos pensamentos iluministas franceses, passava a fazer propaganda contra a escravidão. Após a convocação dos Estados-gerais na França – representações da nobreza, burguesia e clero –, alguns proprietários de terra em São Domingos apressaram-se em formar um comitê para defender seus interesses. Um grupo de mulatos também enviou uma delegação. Formou-se uma representação colonial, um fato inédito. Logo os colonistas queriam mais espaço na política às vésperas da revolução. Conseqüentemente, foi questionada sobre a contradição da exigência de um número maior de cadeiras para os proprietários de São Domingos com a manutenção da escravidão.

Afinal, o lema não era igualdade?

BURGUESIA NO PODER

Mirabeau, representante do Terceiro Estado, gritava que caso os latifundiários colonialistas não considerassem os negros como homens de direito seria equivalente à França ter de admitir, em sua representação política, também os “cavalos e as mulas”. Num golpe, a burguesia francesa conseguiu criar uma Assembléia Nacional, o que contrariava os interesses da monarquia. A revolução começava.

Na visão do autor C.L. R James, que escreveu Os jacobinos negros, o mais importante registro daquelas revoltas, essa discussão atrelava, por fim, as fortunas de São Domingos à assembléia de um povo em revolução. “Dali em diante a história da liberdade na França e da emancipação em São Domingos seria una e indivisível.” O rei Luís XVI ordenou a dissolução da assembléia. As forças populares tomaram a Bastilha, símbolo do absolutismo. Na prática, o rei perderia poder. Em 1790, com o andar da revolução, foi permitida a formação de uma Assembléia Colonial. A sociedade de São Domingos mantinha uma divisão entre latifundiários, brancos pobres, mulatos livres e escravos. Nos debates na colônia, permanecia o conservadorismo do statu quo.

A Assembléia Constituinte, na França, em 1791, aprovou a igualdade de direitos entre todas as pessoas em São Domingos. A medida permitia o voto dos mulatos, mas ainda não era a abolição da escravidão. Sua repercussão na colônia era questão de tempo, pois tinha se reconhecido o direito de “homens de cor”. O clima revolucionário contagiou as ruas de São Domingos. Muitos escravos, alguns mais próximos aos centros onde ocorriam os debates, começavam a entender a dimensão da oportunidade. Ricos fazendeiros viam a decisão da igualdade de direitos como uma ameaça brutal.

Insistiram na posição de que mulatos e negros simplesmente não eram pessoas – uma rasura mal emendada da regra. Paralelamente aos protestos dos mulatos contra os brancos, os escravos começavam a se organizar. Não mais como o quilombola Mackland.

Na planície do norte de São Domingos, onde os canaviais se alastravam lado a lado por dezenas de quilômetros, um capataz (e também sacerdote do vodu) liderou uma rebelião. Boukman planejou atear fogo nas plantações, exterminar os brancos e tomar a colônia a partir de Lê Cap. Quando começou a revolta, os escravos destruíram completamente as fazendas.

As plantações viraram cortinas de chamas e fumaça. Os latifundiários foram executados. O ódio dos negros aflorou e Boukman começou a revolução negra. Os escravos da parte sul e do lado ocidental engrossaram o coro das revoltas. A repressão aumentou. Boukman foi morto em luta, mas o levante não parou. Os insurgentes passaram de 100 mil e ganharam adeptos.

De uma onda de fúria, o movimento amadureceu e abraçou a bandeira da liberdade e da independência. Ao lado dos primeiros líderes, como Jean François e Biassou, outro ex-escravo demonstrou excelência de planejamento militar e conhecimento de política: Toussaint L'Ouverture. Ele recebeu certa liberdade de seu senhor de engenho para tocar a fazenda, teve acesso a alguma literatura e não foi submetido aos suplícios dos maus-tratos. Possuía uma intuição política acima da média e logo se tornou um dos comandantes da revolta. Unificou e organizou um exército que poderia derrotar tropas européias.

PAZ INATINGÍVEL

Os brancos se negavam a aceitar uma rendição ou um acordo de paz. Três comissários franceses com 6 mil soldados chegaram a São Domingos para tentar acabar com as disputas políticas e as rebeliões dos escravos. Logo depois a monarquia caiu na França e a República foi proclamada. Em meio às negociações dos comissários, os franceses declararam guerra contra a Inglaterra e os rebeldes também se mobilizavam na medida da evolução política do Velho Continente. Os exércitos dos ex-escravos se movimentaram entre apoios à Espanha, Inglaterra e França durante os anos seguintes. Em 1794, a França aboliu a escravidão de todos os seus territórios. Toussaint, lutando pelos franceses, conseguiu expulsar britânicos e espanhóis da colônia. Foi nomeado pela metrópole chefe do exército. Chegava ao auge de seu poder.

Quando Napoleão Bonaparte foi eleito primeiro-cônsul, São Domingos proclamou uma Constituição, tornando-se província autônoma. Contudo, em 1802, Napoleão se tornou cônsul vitalício e começou a reação. Já com o domínio da Louisiana, ao sul dos Estados Unidos, enxergou São Domingos como um ponto-chave para a expansão do império francês no Novo Mundo.

Enviou uma armada para a ilha:47 mil homens sob o comando do general LeClerc. Toussaint não acreditava que Napoleão quisesse restabelecer o domínio e a escravidão, mas virou-se contra o governante. Após fracassos de seu exército, rearticulou as forças sob seu comando e imprimiu sobre as tropas francesas derrotas memoráveis.

Ainda bem-intencionado com os colonizadores, o líder negro fez um acordo de paz e se deixou levar, preso, até a França, na tentativa de negociar. Acabou morto numa prisão em Forte Joux, nos Alpes.

O maior líder da revolta foi traído por sua própria confiança na liberdade. O movimento independentista não parou. Nova rebelião, desta vez liderada por Dessalines, derrotou as tropas de LeClerc e proclama a independência da ilha em 1804 sob o nome de Haiti.

O ciclo da revolução negra se fechava depois de mais de uma década de conflitos com um saldo de pelo menos 200 mil mortes entre os rebeldes.

A revolta iniciada por Toussaint L'Ouverture visava assegurar aos habitantes da colônia os mesmos direitos que os da metrópole.

Era uma luta pela igualdade, e essa luta sempre foi um equívoco dos movimentos negros.

Jacques Dessalines, aliado de Toussaint, não pensava em igualdade. Sabia que a liberdade de sua gente só estaria assegurada se lutasse pelo poder”, explica Afonso Teixeira Filho, tradutor para o português da obra Os jacobinos negros.

A repercussão da revolução de São Domingos foi gigantesca para a luta contra a escravidão. Ainda maior era o temor dos escravocratas de que a revolta influenciasse todas as Américas. O historiador John Hope Franklin escreveu, em Da escravidão à liberdade, que os americanos ficaram horrorizados diante das notícias do que acontecia no Haiti. A partir de 1791, “muitos preocuparam-se mais com os acontecimentos no Haiti do que com a luta de vida ou morte que se desenvolvia entre França e Inglaterra”.

No Brasil, muitos comentaristas nativos e estrangeiros escreveram sobre os perigos da revolta em terras tupiniquins, embora a influência tenha sido limitada. Alguns milicianos mulatos no Rio de Janeiro usavam retratos de Dessalines.

EXEMPLO PARA O MUNDO

“No período da Regência (1831-40), o termo 'haitianismo' foi usado como um epíteto contra jornais que supostamente representavam os interesses da população de cor livre e abordavam persistentemente a questão racial”, diz Stuart Schwartz, em Segredos internos – Engenhos e escravos na sociedade colonial. Nenhum dos inquéritos judiciais contra as rebeliões escravas na Bahia apontava a inspiração haitiana, mas não há dúvidas sobre sua importância na luta contra a escravidão colonial. A revolução de São Domingos tocou no cerne dos interesses da época. Naquela geopolítica, a derrota das tropas francesas fez com que Napoleão vendesse a Louisiana a preços baixos e evitou uma possível expansão nas Américas. Gerou, claro, grande impacto no mercado do tráfico de escravos e no preço do açúcar.

Quando o parlamentar francês Jean Jaurès, autor de História socialista da Revolução Francesa, classifica a Revolução Francesa de “triste ironia da história humana”, uma análise pode ser estendida ao Haiti. Isso porque a própria riqueza do comércio de escravos deu orgulho suficiente para a burguesia francesa lutar pela Revolução Francesa – liberdade e igualdade de direitos dos seres humanos.

Ou seja, a desumanidade da escravidão gerou a revolução da emancipação humana. E a principal fonte de recursos dessa burguesia, a venda de escravos a São Domingos, se esvaiu depois que a liberdade impregnou as mentes dos habitantes do Haiti. Causou outra ruptura. Ironia de um realismo fantástico.

REVOLUÇÃO NA FRANÇA

9/7/1789 - Nobreza, clero e burguesia (Estados gerais) discutem a crise
14/7/1789 - Queda da Bastilha, símbolo do absolutismo
26/8/1789 - Votação da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão
1792 - Após a convenção nacional, a monarquia é abolida
1793 - Rei Luís XVI é guilhotinado
1804 - Napoleão proclama-se imperador

EM SÃO DOMINGOS

1791 - Início das primeiras rebeliões de escravos
3/9/1791 - Assembléia francesa decreta igualdade de direitos em São Domingos
1793 - O líder rebelde Toussaint L'Ouverture é nomeado general da República
1801 - São Domingos proclama uma Constituição e se torna província autônoma
1802 - Napoleão envia tropas para retomar o domínio da colônia
1804 - Dessalines proclama a independência do Haiti

Sobre o autor: Aloisio Milani é jornalista. Foi enviado para acompanhar a situação do Haiti com a chegada da missão de paz da ONU. Publicou o web-documentário Bon Bagay Haiti, pela Agência Brasil, e prepara um livro-reportagem sobre o mais pobre país das Américas

Fonte:http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/revolucao_negra_5.html

sexta-feira, 18 de maio de 2012

EUA NEGA AOS OUTROS POVOS OS PRINCÍPIOS FUNDADORES DE SUA NAÇÃO

A Declaração de Independência dos EUA

No Congresso, 4 de julho de 1776


Declaração Unânime dos Treze Estados Unidos da América


Quando, no curso dos acontecimentos humanos, se torna necessário um povo dissolver laços políticos que o ligavam a outro, e assumir, entre os poderes da Terra, posição igual e separada, a que lhe dão direito as leis da natureza e as do Deus da natureza, o respeito digno às opiniões dos homens exige que se declarem as causas que os levam a essa separação.

Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas, que todos os homens foram criados iguais, foram dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, que entre estes estão a vida, a liberdade e a busca da felicidade.

Que a fim de assegurar esses direitos, governos são instituídos entre os homens, derivando seus justos poderes do consentimento dos governados;

que, sempre que qualquer forma de governo se torne destrutiva de tais fins, cabe ao povo o direito de alterá-la ou aboli-la e instituir novo governo, baseando-o em tais princípios e organizando-lhe os poderes pela forma que lhe pareça mais conveniente para realizar-lhe a segurança e a felicidade.


Na realidade, a prudência recomenda que não se mudem os governos instituídos há muito tempo por motivos leves e passageiros;

e, assim sendo, toda experiência tem mostrado que os homens estão mais dispostos a sofrer, enquanto os males são suportáveis, do que a se desagravar, abolindo as formas a que se acostumaram.

Mas quando uma longa série de abusos e usurpações, perseguindo invariavelmente o mesmo objeto, indica o desígnio de reduzi-los ao despotismo absoluto, assistem-lhes o direito, bem como o dever, de abolir tais governos e instituir novos-Guardas para sua futura segurança.

Tal tem sido o sofrimento paciente destas colônias e tal agora a necessidade que as força a alterar os sistemas anteriores de governo.


A história do atual Rei da Grã-Bretanha compõe-se de repetidos danos e usurpações, tendo todos por objetivo direto o estabelecimento da tirania absoluta sobre estes Estados.

Para prová-lo, permitam-nos submeter os fatos a um cândido mundo.

Recusou assentimento a leis das mais salutares e necessárias ao bem público.

Proibiu aos governadores a promulgação de leis de importância imediata e urgente, a menos que a aplicação fosse suspensa até que se obtivesse o seu assentimento, e, uma vez suspensas, deixou inteiramente de dispensar-lhes atenção.

Recusou promulgar outras leis para o bem-estar de grande distritos de povo, a menos que abandonassem o direito à representação no Legislativo, direito inestimável para eles temível apenas para os tiranos.

Convocou os corpos legislativos a lugares não usuais, sem conforto e distantes dos locais em que se encontram os arquivos públicos, com o único fito de arrancar-lhes, pela fadiga o assentimento às medidas que lhe conviessem.

Dissolveu Casas de Representantes repetidamente porque:

opunham com máscula firmeza às invasões dos direitos do povo.

Recusou por muito tempo, depois de tais dissoluções, fazer com que outros fossem eleitos; em virtude do que os poderes legislativos incapazes de aniquilação voltaram ao povo em geral para que os exercesse; ficando nesse ínterim o Estado exposto a todos os perigos de invasão externa ou convulsão interna.

Procurou impedir o povoamento destes estados, obstruindo para esse fim as leis de naturalização de estrangeiros, recusando promulgar outras que animassem as migrações para cá e complicando as condições para novas apropriações de terras.

Dificultou a administração da justiça pela recusa de assentimento a leis que estabeleciam poderes judiciários.

Tornou os juízes dependentes apenas da vontade dele para gozo do cargo e valor e pagamento dos respectivos salários.

Criou uma multidão de novos cargos e para eles enviou enxames de funcionários para perseguir o povo e devorar-nos a substância.

Manteve entre nós, em tempo de paz, exércitos permanentes sem o consentimento de nossos corpos legislativos.

Tentou tornar o militar independente do poder civil e a ele superior.

Combinou com outros sujeitar-nos a jurisdição estranha à nossa Constituição e não reconhecida por nossas leis, dando assentimento a seus atos de pretensa legislação:

por aquartelar grandes corpos de tropas entre nós;

por protegê-las por meio de julgamentos simulados, de punição por assassinatos que viessem a cometer contra os habitantes destes estados;

por fazer cessar nosso comércio com todas as partes do mundo;

pelo lançamento de taxas sem nosso consentimento;

por privar-nos, em muitos casos, dos benefícios do julgamento pelo júri;

por transportar-nos para além-mar para julgamento por pretensas ofensas;

por abolir o sistema livre de leis inglesas em província vizinha, aí estabelecendo governo arbitrário e ampliando-lhe os limites, de sorte a torná-lo, de imediato, exemplo e instrumento apropriado para a introdução do mesmo domínio absoluto nestas colônias;

por tirar-nos nossas cartas, abolindo nossas leis mais valiosas e alterando fundamentalmente a forma de nosso governo;

por suspender nossos corpos legislativos, declarando se investido do poder de legislar para nós em todos e quaisquer casos.

Abdicou do governo aqui por declarar-nos fora de sua proteção e movendo guerra contra nós.

Saqueou nossos mares, devastou nossas costas, incendiou nossas cidades e destruiu a vida de nosso povo.

Está, agora mesmo, transportando grandes exércitos de mercenários estrangeiros para completar a obra da morte, desolação e tirania, já iniciada em circunstâncias de crueldade e perfídia raramente igualadas nas idades mais bárbaras e totalmente indignas do chefe de uma nação civilizada.

Obrigou nossos concidadãos aprisionados em alto-mar a tomarem armas contra a própria pátria, para que se tornassem algozes dos amigos e irmãos ou para que caíssem por suas mãos.

Provocou insurreições internas entre nós e procurou trazer contra os habitantes das fronteiras os índios selvagens e impiedosos, cuja regra sabida de guerra é a destruição sem distinção de idade, sexo e condições.

Em cada fase dessas opressões solicitamos reparação nos termos mais humildes; responderam a nossas apenas com repetido agravo.

Um príncipe cujo caráter se assinala deste modo por todos os atos capazes de definir tirano não está em condições de governar um povo livre.

Tampouco deixamos de chamar a atenção de nossos irmãos britânicos.

De tempos em tempos, os advertimos sobre as tentativas do Legislativo deles de estender sobre nós jurisdição insustentável.

Lembramos a eles das circunstâncias de nossa migração e estabelecimento aqui.

Apelamos para a justiça natural e para a magnanimidade, e os conjuramos, pelos laços de nosso parentesco comum, a repudiarem essas usurpações que interromperiam, inevitavelmente, nossas ligações e nossa correspondência.

Permaneceram também surdos à voz da justiça e da consangüinidade.

Temos, portanto, de aquiescer na necessidade de denunciar nossa separação e considerá-los, como consideramos o restante dos homens, inimigos na guerra e amigos na paz.

Nós, Por conseguinte, representantes dos Estados Unidos da América, reunidos em Congresso Geral, apelando para o Juiz Supremo do mundo pela retidão de nossas intenções, em nome e por autoridade do bom povo destas colônias, publicamos e declaramos solenemente:

que estas colônias unidas são e de direito têm de ser Estados livres e independentes, que estão desoneradas de qualquer vassalagem para com a Coroa Britânica, e que todo vínculo político entre elas e a Grã-Bretanha está e deve ficar totalmente dissolvido;

e que, como Estados livres e independentes, têm inteiro poder para declarar guerra, concluir paz, contratar alianças, estabelecer comércio e praticar todos os atos e ações a que têm direito os estados independentes.

E em apoio desta declaração, plenos de firme confiança na proteção da Divina Providência, empenhamos mutuamente nossas vidas, nossas fortunas e nossa sagrada honra.


John Hancock


New Hampshire
Josiah Bartlett
William Whipple
Matthew Thornton

Rhode Island
Step. Hopkins
William Ellery

Connecticut
Roger Sherman
Sam'el Huntington
Wm. Williams
Oliver Wolcott

New York
Wm. Floyd
Phil. Livingston
Frans. Lewis
Lewis Morris

New Jersey
Richd. Stockton
Jno. Witherspoon
Fras. Hopkinson
John Hart
Abra. Clark

Pennsylvania
Robt. Morris
Benjamin Rush
Benj. Frankllin
John Morton
Geo. Clymer
Jas. Smith
Geo. Taylor
James Wilson
George Ross

Massachusetts
Bay Saml. Adams
John Adams
Robt. Treat Paine
Elbridge Gerry

Delaware
Caesar Rodney
Geo. Read
Tho. M'Kean

Maryland
Samuel Chase
Wm. Paca
Thos. Stone
Charles Carroll of Carrollton

Virginia
George Wythe
Richard Henry Lee
Th. Jefferson
Benj Harrison
Ths. Nelson, Jr.
Francis Lightfoot Lee
Carter Braxton

North Carolina
Wm. Hooper
Joseph Hewes
John Penn

South Carolina
Edward Rutledge
Thos. Heyward, Junr.
Thomas Lynch, Junr.
Arthur Middletown

Georgia
Button Gwinnett
Lyman Hall
George Walton

Fonte: historianet.com.br

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Siete millones de minas antipersonas separan a los saharauis

Centenares de personas junto con asociaciones de víctimas se concentraron frente al muro minado levantado por Marruecos para dividir el Sáhara Occidental


10/04/2012 11:16

Zain Alal, soldado retirado del Polisario al lado de la señalización de una posible mina.


Una fortificación de más de 2.000 kilómetros rodeada de minas antipersonas y custodiada por 180.000 soldados divide de norte a sur el desierto del Sáhara. A un lado quedan los territorios ocupados por Marruecos en 1975 y, al otro, los campamentos de refugiados de Tinduf (Argelia). Frente al muro levantado por el reino alauita se manifiestan, desde hace cinco años, asociaciones, particulares, familias españolas con menores saharauis en acogida y el Frente Polisario, representante político del pueblo saharaui.

Este año, coincidiendo con la jornada mundial contra las minas antipersona, la Asociación Saharaui de Víctimas de Minas (ASAVIM) aprovechó la cita para denunciar la vigencia de las municiones que utiliza Marruecos a lo largo de la línea divisoria trazada en 1980, en plena guerra entre el reino de Hasán II y el Frente Polisario tras abandonar España el territorio. A escasos 400 metros del territorio minado, un grupo de hombres mutilados descubrieron, el pasado viernes, sus piernas ortopédicas que sustituyen a las que perdieron por culpa de una munición prohibida por el Tratado de Ottawa, en vigor desde el 1 de marzo de 1999. "Venimos a manifestarnos para que las organizaciones internacionales presionen a Marruecos para que ratifique el tratado y deje de ser una máquina de sembrar minas", aclara Ahmed Sidali, presidente de la ASAVIM y víctima de la explosión de un artefacto por el que pasó el coche en el que viajaba, el 16 de enero de 1979. Aquel día, a consecuencia del estallido, perdió un brazo y las dos piernas y murió un ocupante del vehículo.

"Estimamos que hay cerca de siete millones, pero la cifra real puede alcanzar los diez millones, lo que convierte esta zona es una de las más contaminadas del mundo", explica Sidali, apostado a escasos dos metros de un círculo de piedras que señaliza un punto que podría albergar una mina antipersona. "Esta zona está plagada", advierte.

Sobre el origen de estas municiones, el ministro saharaui de Cooperación, Hach Ahmed, asegura que no todas son de la etapa bélica, entre 1975 y 1991. "Tenemos constancia de la existencia de minas antipersonas muy modernas, lo que nos lleva a considerar que Marruecos sigue sembrando estos artefactos". Interrogado sobre la adquisición de estas minas, Ahmed se limita a sugerir que el reino de Mohamed VI "tiene convenios militares con países como Estados Unidos, Francia y España".

La manifestación de rechazo al muro, denominado por los saharauis como "de la vergüenza", supone, a juicio del ministro de Cooperación "un acto masivo, con presencia de cerca de 1.000 personas, para denunciar la afrenta a la dignidad humana que significa la existencia de un muro de estas características en pleno siglo XXI". El político saharaui también apunta a la responsabilidad española sobre el territorio: "España sigue siendo la potencia administradora del Sáhara por lo que el Gobierno español podría considerar este muro como una fortificación levantada en una provincia española más". Ahmed se refiere de este modo a la resolución S/2002/161 de Naciones Unidas que niega la transferencia de soberanía del Sáhara Occidental a Marruecos y Mauritania a través de los acuerdos tripartitos firmados en Madrid en 1975.

Desminado de terrenos "liberados"

Con todo, son las propias asociaciones las que destinan esfuerzos a las labores de desminado de las zonas próximas al muro en colaboración con el gobierno de la República Árabe Saharaui Democrática (RASD) y el Frente Polisario. Hasta la fecha, la organización británica Action on Armed Violence ha rastreado más de 21 millones de metros cuadrados y neutralizado cerca de 22.000 explosivos en las zonas bajo dominio del Polisario.

El director del programa que esta organización tiene en el Sáhara Occidental, Ahmed Sidi Ali, indicó en una reciente charla celebrada en el campamento de refugiados '27 de Febrero' que los nuevos mecanismos para el barrido de minas les han llevado a una limpieza del 70% de los artefactos ubicados al norte de la zona conocida por los saharauis como "territorios liberados" y por Marruecos como "zona defensiva" [terreno bajo protección del Frente Polisario]. "Toda la parte sur de la zona liberada está limpia de minas; el problema está en la franja que queda a cinco kilómetros del muro, ya que es una zona neutral, con el paso prohibido a militares, y Marruecos no nos permite pasar a desminarla a pesar de que los civiles sí transitan por ahí y siguen siendo víctimas de las minas", explica Sidi Ali.

A finales de mayo está previsto que la organización británica de a conocer el número de víctimas que han provocado las minas alrededor de la muralla marroquí.

Las historias que aglutina el muro

Frente a la fortificación minada se dan cita cada año desde hace un lustro los relatos de la ocupación marroquí sobre el Sáhara Occidental. Al encuentro de este año acudió el encargado de protocolo en el campamento de Smara Mohamed Mustafa Sorku, quien secundó la protesta "para exigir el fin de un muro que divide el Sáhara y pretende eliminar la identidad cultural saharaui". "España debe reconocer y trabajar por los principios de nuestro pueblo ya que fue la primera potencia colonizadora del territorio". Sorku formó parte de las incipientes operaciones militares del recién creado Frente Polisario en 1974. En una de estas acciones que les enfrentaban a la policía franquista del Sáhara Occidental perdió un ojo. "Se trataba de una pequeña operación para reivindicar la independencia y terminó con dos saharauis heridos y otros tres muertos", recuerda.

Zain Alal, soldado retirado del Polisario, aún recuerda a Don Rafael, el director de la escuela La Paz a la que acudía de niño en El Aaiún español. De regreso tras la protesta ante el muro, Alal, de 40 años, rememora su participación en los últimos años de la contienda. "Estaba en un grupo donde nos dedicábamos a robar material a las tropas de Marruecos", explica. Su padre, que prestó servicio como policía saharaui en la etapa española, murió en la guerra el 12 de febrero de 1980. Ahora Alal colabora en las labores de localización de minas antipersonas alrededor del muro.

Las palabras de ánimo las ponen los españoles que estos días acuden a los campamentos y que también participan en la protesta frente al muro. El gobierno de la RASD estima que este año, cerca de 400 extranjeros se han sumado al acto de protesta. Luis Cruz, miembro de una asociación de Huelva, denunció el abandono de los diferentes gobiernos españoles en la cuestión del Sáhara: "Tenemos una deuda moral e histórica con este pueblo y es vergonzoso que una de las primeras cosas que haya hecho Rajoy nada más llegar a la presidencia sea reunirse con el rey de Marruecos".


Fonte: www.publico.es

terça-feira, 10 de abril de 2012

Ativista de direitos humanos é condenada a prisão na China


PEQUIM - A advogada e ativista de direitos humanos chinesa Ni Yulan foi condenada nesta terça-feira a dois anos e oito meses de prisão por causar distúrbios e por fraude, em um novo golpe do governo chinês contra os direitos civis. Seu marido, Dong Jiqin, também foi condenado a dois anos de prisão por causar distúrbios.

Ni, que está em uma cadeira de rodas desde que foi espancada pela polícia em 2002, e Dong foram detidos em abril de 2011, durante uma campanha das autoridades contra dissidentes por temor de que a ebulição da Primavera Árabe chegasse à China. O casal é especialmente ativo na defesa de pessoas desalojadas pela especulação imobiliária, um fenômeno frequente no país, onde centenas de milhares de pessoas sofrem com retiradas violentas e demolições forçadas em nome do desenvolvimento - Ni e Dong passaram eles mesmos por essa situação. Os dois prestam assessoria gratuita a outras vítimas de desapropriações e corrupção.

Uma filha do casal revelou que em dezembro surgiram as acusações de distúrbios contra seus pais por uma suposta agressão a funcionários do hotel onde eles foram obrigados a se hospedar por dez meses. Procuradores alegam que os ativistas estão no hotel deliberadamente. Ni já chamou a situação de "prisão negra", como são conhecidos os locais de detenções informais, como hotéis ou casas do governo usados para prender dissidentes sem apelar para procedimentos legais.

Um porta-voz do tribunal de um subúrbio de Pequim que ordenou as prisões afirmou que o casal não pagou 69.972 iuanes (cerca de R$ 20.250) relativos às despesas no hotel, parou de registrar os visitantes, destruiu o livro de registros do estabelecimento e agrediu funcionários.

- Eles se recusaram a mudar de quarto ou a fazer o check out, então o funcionamento normal do hotel foi seriamente perturbado e grandes perdas econômicas foram causadas - afirmou o porta-voz, que se recusou a revelar sua identidade. Ele também afirmou que Ni pagou cinco mil iuanes para que "fabricassem sua identidade de advogada".

Ni recebeu ainda uma multa de mil iuanes, mas seus advogados insistem que ela não violou nenhuma lei.

- O veredito foi injusto e ilegal - afirmou Cheng Hai, advogado da ativista. Cheng disse que Ni vai apelar da decisão em até dez dias.

A filha de Ni Yulan afirma que sua mãe não teve acesso a acompanhamento médico durante o tempo em que ficou detida.

Ni Yulan, de 51 anos, já foi presa em 2002 e em 2008, durante um e dois anos, respectivamente, por "obstruir o trabalho das autoridades" e "causar danos à propriedade pública". A advogada foi premiada em dezembro de 2011 com o Prêmio Tulipán de direitos humanos do governo da Holanda.

- Estamos particularmente preocupados com a saúde da senhora Ni e pedimos sua libertação imediata - afirmou Raphael Droszewski, da missão da União Europeia em Pequim. Segundo ele, a UE está "preocupada com a deterioração da situação dos defensores dos direitos humanos na China".

Fonte: Agência Globo

segunda-feira, 2 de abril de 2012

OS AMIGOS DO REI

Com interesses econômicos e políticos, potências ocidentais ajudam a travar a independência saaraui

12/05/2011

Igor Ojeda e Tatiana Merlino

de Rabouni (Saara Ocidental)

e Madri (Espanha)


Até a Organização das Nações Unidas reconhece: o Saara Ocidental, ocupado pelo Marrocos há 35 anos, é a última colônia da África. Oficialmente, o país é considerado, pelo Comitê de Descolonização do organismo, um “território não autônomo” ainda por descolonizar.

No entanto, a atuação da ONU no conflito é duramente criticada pelos saarauis, que a acusam de indiretamente apoiar a monarquia marroquina.

Em 1975, no mesmo ano em que o exército do Marrocos invadiu o Saara Ocidental, o Tribunal Internacional de Justiça de Haia já havia negado a soberania do reino norte-africano sobre o território invadido. Mesmo assim, o suporte das potências ocidentais ao rei marroquino Mohamed VI e a omissão das Nações Unidas permanecem até hoje.

A guerra entre o Marrocos e a Frente Polisario – movimento independentista saaraui –, iniciada em 1975, durou até 1991, período em que vigorava a Guerra Fria. “Na ocasião, o Marrocos era um país satélite do Ocidente. Ali estavam as bases militares francesas e estadunidenses. Por outro lado, a Argélia, apoiadora da Frente Polisario, era vista como pró-soviética”, analisa Bucharaya Beyun, delegado saaraui para a Espanha.



Pesca

Com a queda do bloco soviético e o cessar-fogo mediado pela ONU, os interesses econômicos passaram ao primeiro plano. “A zona mais rica do Saara, a região costeira, está ocupada pelo Marrocos. A parte liberada é muito desértica”, explica Zahra Ramdán Ahmed, presidenta da Associação de Mulheres Saarauis na Espanha.

O Saara Ocidental, banhado pelo oceano Atlântico, possui uma das zonas de pesca mais ricas do planeta. São mais de 150 km² habitados por cerca de 200 espécies de peixes, 60 de moluscos e várias de cefalópodes e crustáceos.

Em fevereiro, a União Europeia (UE) e o Marrocos renovaram por mais um ano um acordo pesqueiro, vigente desde 2007, que garante à frota europeia 119 licenças de pesca – a maioria delas, na costa saaraui. Cem delas são somente para os pesqueiros espanhóis.

Desde que saiu do território saaraui e o entregou ao Marrocos, a Espanha, independentemente de quem esteja no governo, alinha-se ao Marrocos na questão do Saara Ocidental. “Na verdade, os espanhóis estão divididos. De um lado, um governo que sempre privilegia suas relações com o Marrocos, temendo que o país norte-africano tire deles Ceuta e Melilla [enclaves em solo marroquino]. E o povo espanhol se alinhou de uma forma majoritária com os saarauis”, conta Abdelkader Taleb Aomar, primeiro-ministro da República Árabe Saaraui Democrática (Rasd), o governo saaraui no exílio.



Fosfato

O território ocupado, além disso, é muito rico em fosfato, componente fundamental na fabricação de fertilizantes. Juntos, o Marrocos e o Saara Ocidental possuem 32% das reservas mundiais do minério. Responsável por aproximadamente 30% do mercado, a monarquia marroquina é o maior exportador de fosfato, fornecendo-o, principalmente, para Estados Unidos, Brasil, Espanha e França.

“O fosfato, hoje [fevereiro], está custando mais de 400 dólares por tonelada. O preço vem aumentando por causa do crescimento dos cultivos para biocombustíveis. Então, vende-se muito fosfato para esse cultivo no Brasil, na Malásia... e sabemos que grande parte desse fosfato é nossa. E há empresas desses países que compram fosfato do Marrocos”, esclarece Bucharaya.

Em março, o Wikileaks revelou o conteúdo de um telegrama da embaixada dos EUA no Marrocos que dizia que, durante uma visita ao país, em 2007, o presidente francês Nicolas Sarkozy firmou acordos de 3 bilhões de euros com a Companhia Nacional de Fosfatos Marroquina (OCP), a estatal do setor. Segundo a diplomacia estadunidense, em troca, a França deveria reforçar o seu apoio à monarquia no caso do Saara Ocidental.

Um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, o país europeu regularmente exerce seu poder de veto para barrar qualquer resolução que contrarie o Marrocos.

Uma delas diz respeito à Missão das Nações Unidas para o Referendo no Saara Ocidental (Minurso), instalada no território ocupado em 1991 com o objetivo de organizar uma consulta sobre a independência do Saara Ocidental – um dos pontos previstos no acordo de cessar-fogo. Principalmente devido a obstáculos impostos pelo Marrocos – que insiste que os colonos marroquinos instalados no Saara Ocidental também votem – o referendo ainda não foi realizado. Para piorar, a Minurso não possui a competência de observar a garantia dos direitos humanos, que, segundo os saarauis e organizações internacionais como a Anistia Internacional, são constantemente violados pela monarquia. No Conselho de Segurança da ONU, o assunto recebe a oposição ferrenha da França.

“As Nações Unidas não fazem o referendo, não controlam os direitos humanos... Está no território ocupado há 20 anos e não vêm cumprindo sua missão. O referendo não acontece, os direitos humanos são violados constantemente e os recursos naturais são espoliados regularmente. Então, a ONU está se convertendo em um instrumento para legitimar a ocupação. É difícil que os saarauis continuem aceitando essa situação. Portanto, há um risco grandíssimo de um retorno às hostilidades”, alerta Bucharaya.



Imigração e terrorismo

Outras questões, como imigração, terrorismo e narcotráfico também são usados como pretextos para o apoio ocidental ao Marrocos. O reino marroquino é considerado um dos aliados estratégicos das grandes potências no combate a células da Al Qaeda no Magreb.

Além disso, o país, separado da Europa apenas pelo estreito de Gibraltar, cumpre um importante papel – sob o ponto de vista europeu – de contenção dos fluxos imigratórios de africanos para o Velho Mundo. Há cinco anos, a União Europeia concedeu 67 milhões de euros ao Marrocos, a serem aplicados em políticas anti-imigração.

“O argumento do Conselho de Segurança da ONU para não pressionar o Marrocos o suficiente é de que ele é um país estratégico para a segurança europeia, que não pode ser desestabilizado. Ou seja, como a monarquia pôs todo seu peso e energia na questão do Saara, se tirarem o Saara dela, se desestabilizaria”, explica o primeiro-ministro.

Bucharaya Beyun, no entanto, diz não compreender os motivos de as potências ocidentais, após a Guerra Fria, ainda apoiarem incondicionalmente os interesses marroquinos. “Em primeiro lugar, o Marrocos não é uma potência econômica. Já na Argélia há grandes reservas de petróleo e gás. Em segundo lugar, a Argélia, hoje, é um país pró-ocidente. É o país que mais faz esforço para combater o terrorismo na região. Portanto, só podem ser interesses pessoais ou partidários, mais do que de Estado”, opina.



Interesses brasileiros

Desde 1984, a Rasd é membro da União Africana, que a reconhece como o legítimo Estado do povo saaraui. No ano seguinte, em protesto contra tal decisão, o Marrocos deixou a organização. Além disso, ela é reconhecida, hoje, por 82 países, entre eles, África do Sul, México, Venezuela, Cuba e Irã. O Brasil é um dos poucos países latino-americanos que não estão na lista. “Dizem que, para se reconhecer um Estado, é preciso o cumprimento de três requisitos: um governo, um povo e um território. Nós temos os três”, diz o primeiro-ministro.

“Tínhamos muita esperança quando o presidente Lula subiu ao poder. Acreditávamos que seria o momento em que o Brasil iria reconhecer a Rasd, sobretudo porque a Frente Polisario tinha muitas relações com o PT. Infelizmente, parece que privilegiaram os interesses econômicos com o Marrocos”, lamenta Zahra.

Dos 532,4 milhões de dólares que o Brasil importou do país norte-africano em 2007, 451,7 milhões foram de fertilizantes. Há alguns anos, a Bunge, transnacional cuja divisão de fertilizantes é sediada em território brasileiro e que tem, como atual presidente, o ex-ministro da Casa Civil de Fernando Henrique Cardoso, Pedro Parente, possui uma joint-venture com a empresa estatal de fosfato marroquina, a OCP, para a produção de fertilizantes.


Fonte: wwww.brasildefato.com.br

sábado, 24 de março de 2012

COMÉRCIO DE ARMAS, CONSELHO DE INSEGURANÇA DA ONU E BESTIALIDADE HUMANA

Os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, EUA, Rússia, Reino Unido, França e China, detentores do poder de veto, por intervenção direta ou apoio à regimes totalitários, estiveram ou estão por trás das graves violações de direitos humanos ocorridas após a segunda guerra mundial.

Fundadores e signatários da Declaração Universal de Direitos Humanos, 1948, as "grandes potências" utilizam a fabulosa estrutura da ONU para legitimar as atrocidades praticadas em nome dos negócios, e garantir a impunidade dos países travestidos de guardiões da paz.

Não por coincidência, os cinco países elencados lideram o ranking dos maiores fabricantes de armas e máquinas de guerra do mundo, assim:

EUA: 30% do mercado;
Rússia: 23%
Alemanha: 11%
França: 8%
Reino Unido: 4%
China: Só o Dragão sabe.

Postulante e forte candidata à cadeira number six (nº6) (seriam seis milhões?) neste seleto clube dos horrores chamado de "conselho de segurança", a Alemanha, depois de patrocinar um dos maiores banhos de sangue que a humanidade experimentou, figura como terceiro maior fabricante de armas do mundo. Deverá ter cadeira cativa, pois não consegue viver longe do cenário macabro. Seu povo, depois da guerra, disse que não sabia ou que não apoiava o fascínora. Agora, novamente, assistem passivamente seu governo investir na produção em massa de armamento causador de morte, destruição e desgraça em terras alheias.

Os senhores da guerra, titulares do clube, apresentam milhões de mortos em seu maquiavélico curriculo: Argélia, Camboja, Vietnam, Coréia, Hungria,Tchecoslovaquia, Chechênia, Sabra e Chatila, Ruanda, Timor Leste, Afeganistão, kosovo, Iraque, Libano, Palestina, Operação Condor - Brasil, Chile, Paraguai, Bolivia, Argentina e Uruguai - Guantánamo, e por aí vai...+ + + + + +

A causa dos Saharauis (1975-2011), o povo que o mundo esqueceu, está inserida neste contexto, onde as "grandes potências", por ação ou por omissão, decidem a sorte de um povo explorando as suas riquezas naturais, mantendo-os segregados em cárcere privado na própria terra, oprimindo-os através da mão de ferro do genocida Mohamed VI, reizinho do Marrocos, calando e cegando a imprensa "livre" internacional, que não vê um muro com 2.700 kilometros e cala criminosamente sobre o genocídio deste povo.

Condenados inexoravelmente à extinção lenta, gradual e segura sob a tutela da ONU, o bravo e heróico povo Saharaui luta diuturnamente pelos direitos de primeira geração -vida, liberdade e propriedade - aguardando o REFERENDUM (MINURSO/1992) marcado para não se realizar, diante da criminosa omissão e cumplicidade dos povos ditos desenvolvidos.


A conduta da ONU, criada para mediar conflitos e promover a PAZ, na verdade esconde e camufla a organização criminosa que decide quem vai morrer, quem vai viver e como no mundo atual. Enquanto isso, a indústria da morte, principal negócio dos sócios remidos, cresce e se fortalece nos países com discurso pacifista e práticas genocidas.



Meu país, o Brasil, ex-colônia de Portugal, recém saído de uma ditadura feroz, mantém vergonhosa postura de neutralidade em relação à causa Saharaui.

Surpreende o comportamento do atual governo - o Partido dos Trabalhadores assumiu compromisso expresso com a auto-determinação e independência da nação Saharaui - comandado por pessoas que lutaram pela liberdade e sobreviveram à tortura, sequestros, desaparecimentos forçados e assassinatos, praticados, não por quem pensava diferente, mas sim, por assassinos treinados nos EUA, e que agora, covardemente, se escondem atrás da Lei da Anistia para eternizar e garantir a impunidade.

A positivação dos direitos humanos verificada ao longo da história, com a conquista dos direitos de primeira, segunda e terceira geração, já falam em quarta geração, enfrenta terrível retrocesso, patrocinado justamente pelos povos responsáveis por lutas históricas que formataram leis em defesa dos direitos humanos.


Desafio os intelectuais à interromperem os estéreis estudos sobre os direitos de 4ª e 5ª geração, e direcionarem seu olhar para a realidade Saharaui que, em pleno século XXI, não consegue ultrapassar a primeira fase, sufocados pelos países que escrevem mas não cumprem as leis.



Prezados, abram a porta da história, pisem na areia quentíssima do deserto, sintam a escassez da água e do alimento, acampem em barracas na noite gelada, pulem sobre as minas terrestres fabricadas em seus próprios países, façam caminhada ao longo do muro invisível, são só 2.700 Km de extensão, desafiem a sanguinária polícia marroquina, visitem a histórica prisão chamada Cárcere Negra, superem as doenças, protejam as crianças, defendam as mulheres, esperem a chuva, sonhem com a liberdade, lutem pela vida... Aí sim, os senhores estarão realmente capacitados e preparados para pensar sobre a positivação dos direitos humanos.


Desta forma, a bestialidade humana sobrevive em estado latente na sociedade, alimenta-se da hipocrisia, renova-se periodicamente e retorna com novas e dissimuladas técnicas para extermínio do ser humano, sendo que, a LEI é a mais sofisticada e letal.

E você, até quando vai achar que esta situação não tem nada à ver contigo?


Segue pequeno grande poema para reflexão:

"No caminho, com MAIAKOVSKI

Tu sabes,

conheces melhor do que eu

a velha história.

Na primeira noite eles se aproximam

e roubam uma flor

do nosso jardim.

E não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem:

pisam as flores,

matam nosso cão,

e não dizemos nada.

Até que um dia,

o mais frágil deles

entra sozinho e nossa casa,

rouba-nos a luz e,

conhecendo nosso medo,

arranca-nos a voz da garganta.

E já não podemos dizer nada.


Nos dias que correm

a ninguém é dado

repousar a cabeça

alheia ao terror.

Os humildes baixam a cerviz:

e nós, que não temos pacto algum

com os senhores do mundo,

por temor nos calamos.

No silêncio de meu quarto

a ousadia me afogueia as faces

e eu fantasio um levante;

mas amanhã,

diante do juiz,

talvez meus lábios

calem a verdade

como um foco de germes

capaz de me destruir."


Fragmentos do poema - NO caminho, com MAIAKÓVSKI - escrito por EDUARDO ALVES DA COSTA, em 1985.

Dados sobre armamentos - Fonte: www.sipri.org

segunda-feira, 19 de março de 2012

'Exilius' denuncia Muro da Vergonha sobre os saharauis

Atriz Erika Cunha repassa no palco o que viveu junto às crianças saharauis

Por Amanda Cotrim
Especial para Caros Amigos

A menor máscara do mundo é o nariz, quase sempre vermelho, do palhaço, já diziam os mestres da linguagem “clownesca”. Mas onde estaria o menor palco do mundo? E o que faz de uma dramaturgia teatral um grande espetáculo? Certamente não é o seu espaço (material) cênico, como garante o espetáculo-solo “Exilius”, que estreou com postura de gente grande, no palco do teatro do Sesc Campinas, no mês de janeiro - e será apresentado domingo (12), no Americana Mostra (clique e leia mais) em Americana (SP). A atriz do grupo Matula Teatro, de Campinas, Erika Cunha, subverteu: realizou o monólogo em cima de uma carriola de construção civil, para falar sobre uma guerra que está acontecendo no deserto do Saara, onde 250 mil pessoas vivem na condição de refugiados em acampamentos desprovidos de qualquer condição de dignidade, em terras cedidas pela Argélia; eles estão separados por um muro de 2.500 quilômetros - conhecido como o 'Muro da Vergonha'- o qual divide o território norte e sul e exila o povo saharaui. “A maior dificuldade foi encontrar segurança para permanecer nesse carrinho, habitar esse lugar, criar movimentos e ações dentro dele”, afirma a atriz.

Despertar Corações

Um espetáculo de clima intimista, no qual o público é convidado a sentar-se no palco, mas que grita e consegue despertar corações desavisados: na era da globalização, cujo discurso central é a vida sem fronteira, existe um muro que sufoca e abafa uma realidade pouco vista nos noticiários. Erika conta que o Muro da Vergonha é vigiado por 150 mil soldados marroquinos e o percurso ainda apresenta uma infinidade de minas terrestres que, vez ou outra, provocam mortes entre os saharauis. O acampamento argelino fica próximo a Tindouf; ele existe desde 1975, quando houve a chamada “Marcha Verde” e a invasão do Reino Marroquino em seu antigo território, o Sahara Ocidental, que após a tomada desse país construiu um muro para que os saharauis não retornassem às suas terras.

A experiência inicial dessa realidade foi vivida pela atriz em agosto de 2007, quando ela participou do “II Encontro Ítalo-Brasileiro do Via Rosse Teatro, em Padova/It”. Erika tinha a intenção de ir à Itália falar sobre os exilados da ditadura militar brasileira. Mas, no meio do caminho, como disse certa vez o poeta Drummond, havia uma pedra, que ao tropeçar nela, a atriz foi além: “Nesse momento interrompi o trabalho que estava fazendo e reiniciei com essa nova pesquisa, com o intuito de fazer um levantamento sobre os exilados contemporâneos no mundo, com foco no povo Saharaui. E fui me envolvendo cada vez mais com o tema”, contou. No norte da Itália, em Reggio Emilia, as crianças exiladas do norte da África são levadas para que possam ter acesso a um check-up médico; essa ação é organizada pela Associazione Jaima Sahrawi. Lá, Erika pode, já em 2011, trabalhar como voluntária dando aulas de teatro e orientando as mesmas, durante todo o percurso na Itália, levando-as para conhecer o mar e o campo. Ali, o espetáculo “Exilius” já apresentava as primeiras formas, e ele, inclusive, foi apresentado aos saharauis, como contou a atriz.


Trajeto social

Erika nunca esteve no campo de refugiados, mas esteve entre eles de muitas outras formas, assumindo e seguindo com essas crianças, durante dois meses na Itália, um trajeto sanitário, educacional e artístico. Ela gostaria de ter viajado ao campo em dezembro de 2011, porém, no mês de outubro, houve um sequestro de três ativistas humanitários num acampamento de refugiados saharauis na Argélia Rabun (uma italiana – Rossela Urru e dois espanhóis da Associação Amigos del Pueblo Saharaui). Segundo a atriz, esse fato dramático abriu uma nova fase do conflito no Sahara Ocidental, a RASD e a Frente Polisario imediatamente após o rapto começaram a trabalhar com as
autoridades responsáveis pela libertação de prisioneiros. No entando, Erika ainda não teve respostas concretas sobre o que houve e o resultado disso. “Dessa forma, a associação solicitou que nenhum cooperante viajasse enquanto o conflito não fosse resolvido”, alertou. Há uma nova possibilidade de viagem para o mês de abril de 2012.


Em cena uma atriz, vários personagens, um carrinho de mão, areia e cigarros. Antes do espectador se encontrar com a artista, ele tem a chance de transitar por uma exposição fotográfica, do deserto do Saara, feita pelo fotógrafo italiano Paolo Cattaneo, e registros da pesquisa de campo realizada pela atriz no período em que trabalhou com os saharauis na Itália, além de vídeos e ambientação sonora, elementos que ajudam a contar a história dos exilados saharauis.

Realidades

Aproximar realidades é o objetivo da instalação cênica “Exilius”, que contou com a direção sensível da atriz e pesquisadora do grupo Matula Teatro, Alice Possani. Já a dramaturgia foi construída a partir das provocações do diretor argentino Norberto Presta. "Exilius" é, como a própria atriz define, uma metáfora sobre a resistência, a identidade em movimento e as contradições de uma globalização que marginaliza. Foi uma forma encontrada por ela para que olhos fossem abertos: “Falou-se tanto do muro de Berlim e poucos conhecem o Muro da Vergonha. A única idéia é fazer-se conhecer, essa é a função do espetáculo e da instalação cênica”, diz ela.

Serviço

O quê: Instalação Cênica "Exilius"
Aonde: Fábrica das Artes (Rua Cícero Jones, 146, em Americana)
Quando: domingo, 12, às 20h
Gênero: Drama
Faixa Etária: 12 anos
Realização: Grupo Matula Teatro, de Campinas
Direção: Alice Possani
Informações: 19 3014-1990

Ingressos: 'tíquete cultura' (paga o quanto puder)

Fonte: carosamigos.terra.com.br

BOMBA O COMÉRCIO MUNDIAL DE ARMAS


MEMBROS DO CONSELHO DE INSEGURANÇA DA ONU SEGUEM COM DISCURSO PACIFISTA E PRÁTICA BELICISTA. A HIPOCRISIA NÃO TEM LIMITE.

Comércio mundial de armas cresceu 24% nos últimos cinco anos, diz centro de pesquisas da Suécia.


Renata Giraldi*

Repórter da Agência Brasil

Brasília - O comércio internacional de armas aumentou 24% nos últimos cinco anos, segundo relatório divulgado hoje (19) pelo Instituto de Pesquisas para a Paz de Estocolmo (cuja sigla em inglês é Sipri). O período avaliado foi de 2007 a 2011. Pelos dados, os Estados Unidos permanecem como o maior exportador mundial, em seguida vem a Rússia, a Alemanha, a França e a Grã-Bretanha.

De acordo com o relatório, a Índia se tornou o maior importador de armas do mundo acompanhada pela Coreia do Sul, pelo Paquistão, pela China e por Cingapura. O que fez a Índia ultrapassar a China na importação de armas, segundo o estudo, é que a indústria bélica chinesa cresceu muito nos últimos cinco anos. As armas compradas pelos indianos representaram 10% do comércio mundial no período analisado. O relatório dá um novo sinal da corrida armamentista na Ásia.

Um estudo divulgado este mês por um centro de estudos de Londres, na Grã-Bretanha, indicava que os gastos militares asiáticos superarão os europeus pela primeira vez em 2012.

Stephanie Blencker, da Sipri, disse que a China está a ponto de entrar no grupo dos cinco maiores vendedores de armas do mundo principalmente devido ao comércio com o Paquistão. De acordo com ela, a China pretende com isso aumentar sua influência.

Segundo o relatório, não houve alterações no ano passado nas vendas de armas aos países protagonistas da Primavera Árabe. Apesar de os Estados Unidos terem revisado, em 2011, suas políticas de comércio de armas para a região, o país continua sendo o maior fornecedor à Tunísia e ao Egito. Os Estados Unidos venderam 45 tanques ao Egito no ano passado e prometeram ao governo egípcio mais cem.

A Rússia, por sua vez, vendeu no ano passado a maior parte dos armamentos comprados pela Síria, incluindo aviões de combate e um sistema de mísseis. A compra de armamentos não está necessariamente ligada à existência de ameaças externas, segundo o centro de estudos sueco.

*Com informações da BBC Brasil // Edição: Lílian Beraldo

Fonte: Agência Brasil

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Haiti - o país dos Rest Avec Vous






Premiado pela segunda vez com o 1º Lugar no prêmio Direitos Humanos de Jornalismo na sede da OAB/RS, o JORNALISTA LÚCIO DE CASTRO, que também produziu o documentário "GARTUFA" que me permitiu conhecer e abraçar a causa SAHARAUI, novamente revela ao mundo a terrível realidade que a sociedade insiste em esconder.

Falar em direitos humanos de 4ª e 5ª geração em pleno século XXI, diante deste quadro bizarro pintado com a mais alta tecnologia e côres da idade média, quando parcela importante da população mundial não consegue desfrutar dos direitos de 1ª geração, vida e liberdade, comprova que a besta humana ao longo dos séculos mudou o cenário mas não modificou o comportamento predador.

Rosseau afirma que a liberdade e a perfectibilidade, capacidade de se aperfeiçoar, e a historicidade são os traços fundamentais para distanciar o ser humano dos animais.

Será?

Que aperfeiçoamento é este que renova e aperfeiçoa práticas medievais de exploração e submissão dos seres humanos.

Que animal é este que não aprende com a história?

Pelo contrário, reincide em práticas que impõe morte, destruição e miséria aos povos subjugados. O "homem" se mostrou capaz de mudar o exterior, enquanto permanece aprisionado internamente e incapaz de modificar o seu interior.

Luc Férri ressalta a prática da tortura como sendo exclusiva dos humanos. Humanos??

Será esta a única diferença?


Agora, os mais invisíveis dos invisíveis....e a IRMÃ MARIA.


HAITI - O PAÍS DOS REST AVEC VOUS "fiquem com vocês"

















Fonte:http://espn.estadao.com.br/luciodecastro/post/186680_HAITI+O+PAIS+DOS+REST+AV...

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

XXVIII Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo: Profissionais e acadêmicos recebem distinções

XXVIII Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo: Profissionais e acadêmicos recebem distinções


Na cerimônia desta sexta-feira (09), os vencedores foram agraciados pelos trabalhos realizados na temática deste ano: "Memória X Cultura da Impunidade".

A OAB/RS, juntamente com o Movimento de Justiça e Direitos Humanos, entregou, na noite desta sexta-feira (09), o XXVIII Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo. A premiação, que visa estimular o trabalho dos profissionais do Jornalismo na denúncia de violações e na vigilância ao respeito aos Direitos Humanos, conta com o apoio da Associação dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos (ARFOC/RS e Brasil) e da Secretaria Regional Latinoamericana de la Unión Internacional de Trabajadores de la Alimentación y la Agricultura (REL-UITA), de Montevidéu, Uruguai.

Na cerimônia, realizada no Auditório Guilherme Shultz Filho, na sede da Ordem gaúcha, foram premiados trabalhos jornalísticos nas seguintes categorias: Acadêmico; Charge; Online; Rádio; Crônica, Fotografia; Televisão; Reportagem e Categoria Especial.

Nesta edição, com um total de 249 inscrições de todo o Brasil, o Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo teve como tema principal "Memória X Cultura da Impunidade".

Designado pelo presidente da OAB/RS, Claudio Lamachia, o coordenador-geral da Comissão de Direitos Humanos, conselheiro seccional Ricardo Breier, conduziu o evento, juntamente com o representante do MJDH, Jair Krischke. Participaram ainda o presidente da ARFOC Brasil, Paulo Dias; o presidente da ARFOC/RS, Itamar Aguiar; e a representante do UITA, Geni Dalla Rosa; e o membro da CDH, Roque Reckzieguel.

Em sua fala, Breier ressaltou que é uma luta diária identificar todos os segmentos dos direitos humanos que vêm sendo violados. "Precisamos divulgar a importância dos direitos humanos, debater e informar. Esta noite é de reconhecimento ao belíssimo trabalho de profissionais da comunicação, que em imagens e textos, divulgaram questões ligadas aos direitos humanos", afirmou.

Durante o evento, houve uma homenagem ao jornal "O Estado de S. Paulo", com desagravo público, pois o periódico está sob censura desde 29 de janeiro de 2010.

Confira a lista completa dos vencedores:

CATEGORIA ACADÊMICA

1º Lugar:

FRANCIELI SOUZA

CARLOS EDUARDO LANDO

NATALIA OTTO

MARIA HELENA SPONCHIADO

MARCO ANTONIO VARGAS VILLALOBOS (Professor orientador)

Título: ESQUERDA VOLVER - Pedro Alvarez – História e memórias de um capitão do povo (PUC)

2º Lugar:

NATÁLIA BITTENCOURT OTTO

JÚLIA CORSO

MANUELA KUHN

FERNANDA CARDOSO

GABRIELA SITTA

Título: A DÚVIDA EM NOME DE QUEM (PUC)

3º Lugar:

MARCUS VINICIUS PEREIRA MENEGUETTI

Título: OBRA LEMBRA CASO DAS MÃOS AMARRADAS (publicado no Jornal do Comércio em 29/08/2011 – UFRGS)

Mensão Honrosa:

MAX MILLIANO MELO

CRISTIANO ZAIA

Título: GENIAL ARTE DA LOUCURA (publicado na Revista Campus Repórter nº 7 - UNB)

CATEGORIA CRÔNICA

1º Lugar:

GILBERTO BLUME

Título: PRAZER, QUEREN (Pioneiro – Caxias do Sul/RS)

2º Lugar:

MÁRIO MARCOS DE SOUZA

Título: MARIONETES (Zero Hora - Porto Alegre/RS)

3º Lugar:

MOISÉS MENDES

Título: MARIA MADALENA E PATRÍCIA ACIOLI (Zero Hora - Porto Alegre/RS)

CATEGORIA ONLINE

1º Lugar:

FLAVIA CRISTINA MAGGI BEMFICA

Título: CASO FRIGERI: TORTURADORES RIAM, DIZ VÍTIMA DA DITADURA (Portal Terra)

2º Lugar:

GELSON FARIAS

Título: ILHA PRESÍDIO - RETALHOS DE UM TEMPO (Blog de Olhos e Ouvidos)

3º Lugar:

LUCIANO NAGEL

JIMMY AZEVEDO
(Rádio Guaíba)

Menção Honrosa:

LUCAS JOSUÉ DE AZEVEDO E SILVA

Título: MESMO COM FRIO INTENSO, TRABALHADORES MIGRAM PARA O SUL NA COLHIETA DE BATATA (Portal UOL)

CATEGORIA RÁDIO

1º Lugar:

NESTOR TIPA JÚNIOR

MARCUS VINÍCIUS WESENDONK

Título: QUILOMBOS URBANOS (Rádio Gaúcha – Porto Alegre/RS)

2º Lugar

MARÍLIA ALVES BANHOLZER

JOSÉ ROBERTO DE SOUZA

KAROLINE MARIA FERNANDES DA COSTA E SILVA

MELLYNA ANDRÉA REIS DOS SANTOS

Título: CIDADE DE REFÉNS (Rádio Jornal AM 780 – Recife/PE)

3º Lugar:

CID MARTINS

RODRIGO MUZZEL

HUMBERTO TREZZI

SÉRGIO GUIMARÃES

Título: RIO EM GUERRA (Rádio Gaúcha - Porto Alegre/RS)

CATEGORIA FOTOGRAFIA

1º Lugar:

DANIELA XU

Título: ACUADOS (Pioneiro – Caxias do Sul/RS)

2º Lugar:

JEAN SCHWARZ

Título: SANTA CEIA (Zero Hora – Porto Alegre/RS)

2º Lugar:

JEFFERSON BOTEGA

Título: LÁGRIMAS DO CÉU (Zero Hora – Porto Alegre/RS)

3º Lugar:

JEFFERSON BOTEGA

Título: TRÊS DAIS NUMA CADEIRA (Zero Hora – Porto Alegre/RS)

3º Lugar:

RICARDO FAGUNDES DUARTE

Título: ATROPELAMENTO COLETIVO DE CICLISTAS (Zero Hora – Porto Alegre/RS)

Menção Honrosa:

VALDIR FRIOLIN

Título: GANÂNCIA DO PODER PÚBLICO (Zero Hora – Porto Alegre/RS)

Menção Honrosa:

LUIS TADEU VILANI

Título: A FACE GAÚCHA DA MISÉRIA (Zero Hora – Porto Alegre/RS)

CATEGORIA TELEVISÃO

1º Lugar: LUCIO DE CASTRO


Título: HAITÍ, O PAÍS DO REST AVEC (TV ESPN Brasil)

2º Lugar:

GUSTAVO COSTA

ANDRÉ TAL

CÁTIA MAZIN

RODRIGO BETTIO

Título: 40 ANOS DA TRANSAMAZÔNICA, A ESTRADA SEM FIM (TV Record – Programa Domingo Espetacular)

3º Lugar:

LÉO SANT’ANNA

PATRÍCIA PERAMEZZA

HÉLIO JACINTO

BRANCA ANDRADE

MARCELLE BORCHETTA

PATRIC DOMINGUES

Título: ABOLIÇÃO: LIBERTAÇÃO E PRECONCEITO (TV SBT – Rio de Janeiro/RJ)

CATEGORIA REPORTAGEM

1º Lugar: DARIO PIGNOTTI


Título: NUEVAS EVIDENCIAS DEL PLAN CONDOR EN BRASIL (Página 12 – Buenos Aires – Rep. Argentina)


1º Lugar: ALINE DOS SANTOS CUSTÓDIO


Título: CASO JUAN (Jornal Extra – Rio de Janeiro/RJ)

2º Lugar:

ITAMAR MELO DE OLIVEIRA

Título: A FACE GAÚCHA DA MISÉRIA (Zero Hora – Porto Alegre/RS)

2º Lugar:

CRISTINA MIRANDA MORENO DE SOUZA CASTRO

ADRIANO BRITO

Título: OBRAS DO RODOANEL DEIXAM "ORFÃOS NA REGIÃO DO ABC (Folha de São Paulo – São Paulo/SP)

2º Lugar

RICARDO FRANÇA DE GUSMÃO

GUSTAVO CARVALHO

PAULO VICTOR MAGALHÃES

Título: O "PEIXE" CHEGOU ! - E AGORA ? (O São Gonçalo – Rio de Janeiro/RJ)

3º Lugar:

RENATA MARIZ

Título: OCUPAÇÃO DA VILA CRUZEIRO E DO COMPLEXO DO ALEMÃO - O OUTRO LADO DA HISTÓRIA (Correio Braziliense)

Menção Honrosa:

MAURI KÖNIG

JONATHAN CAMPOS

Título: INFÂNCIA À DERIVA (Gazeta do Povo – Curitiba/PR)

Menção Honrosa:

VIRGÍNIA TOLEDO

JOÃO PERES

Título: GUERREIRO DE BATINA (Revista do Brasil – São Paulo/SP)

Menção Honrosa:

ARIEL FAGUNDES

LEANDRO HEIN RODRIGUES

Título: ILHADOS NA MISÉRIA (Jornal Tabaré – Porto Alegre/RS)

CATEGORIA ESPECIAL - MEMÓRIA X CULTURA DA IMPUNIDADE

1º Lugar: LUIZ CLÁUDIO CUNHA


Título: Série CULTURA DA IMPUNIDADE
(Primeiro artigo: O cinismo e o medo dos generais - Último artigo: Presidente Dilma, anote o nome deles - Observatório da Imprensa)

1º Lugar:

RUBENS VALENTE

FERNADA ODILLA

JOÃO CARLOS MAGALHÃES

Título: Série SEGREDOS DO ITAMARATY
(Folha de São Paulo – São Paulo/SP)

1º Lugar:

LEONENCIO NOSSA JUNIOR

CELSO SARMENTO JUNIOR

Título: GUERRAS DESCONHECIDAS DO BRASIL (O Estado de São Paulo – São Paulo/SP)

2º Lugar:

RENATA MARIZ

EDSON LUIZ

Título: SOLDADOS DA BORRACHA (Correio Braziliense – Brasília/DF)

3º Lugar:

NILTON SCHÜLER

Título: A LEGALIDADE TRAÍDA (TVE/RS – Porto Alegre/RS)

Menção Honrosa:

DIONE KUHN

NILSON MARIANO

Título: Série A FACE DESCONHECIDA DA LEGALIDADE (Zero Hora – Porto Alegre/RS)

Menção Honrosa:

DANTON JÚNIOR

DANIEL SOARES

Título: Série LEGALIDADE 50 ANOS (Correio do Povo – Porto Alegre/RS)

Fonte: www.oabrs.org.br

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Adiós Fadili

Adiós Fadili


El pasado 22 de octubre, tras una larga enfermedad, fallecía el pintor saharaui Fadili Yeslem, uno de los más reconocidos pintores saharauis. Fadili nació el 28 de julio de 1975 en Auserd, Sahara Occidental, meses antes de la invasión mauritano marroquí del entonces Sahara Español.

Se incorporó junto a su familia a los campamentos de refugiados saharauis en 1978. Allí realizó sus estudios primarios y secundarios. De familia de artesanos, destacó desde muy pequeño en el dibujo. Sus aptitudes le llevaron a estudiar Bellas Artes en La Habana, tras marchar a Cuba con una beca de estudios.

Una vez finalizada su estancia en Cuba regresó a los campamentos de refugiados, donde comenzó su carrera como pintor. En los campamentos trabajó siempre con el Ministerio saharaui de Cultura, por la difusión de la causa saharaui. Realizó numerosas exposiciones y participó asiduamente en los Festivales de Cultura y Festivales de la Juventud. Su trabajo, siempre en colaboración con el Ministerio de Cultura, le llevó a abrir su estudio en el campamento 27 de febrero. Montó la primera galería de arte de los campamentos en Hagunia, wilaya de El Aaiun.

La exposición por la que será recordado por sus compatriotas es la exposición dedicada al Muro de la Vergüenza, situada durante mucho tiempo en el campamento 27 de febrero, y que actualmente se encuentra en España. Estos cuadros también forman parte de las ilustraciones del libro de la Generación de la Amistad Saharaui “Um Draiga”. En ella refleja la situación dramática que vive el pueblo saharaui; la invasión, las minas sembradas en el territorio, la indiferencia del mundo, la tragedia de los refugiados, dentro de un estilo onírico, influido por el surrealismo.


Otro de los trabajos más conocidos de Fadili Yeslem es un mural de grandes dimensiones realizado para conmemorar la celebración saharaui del 20 de mayo, y donde aparecen los retratos de Luali Mustafa, Basiri, y Mohamed Abdelaziz. El mural se puede visitar en el Museo Militar en Rabuni.


Realizó diferentes exposiciones en Argelia y Mauritania. Fadili no hizo demasiadas visitas a España, aunque sí preparó algunas exposiciones en Valencia, Tarragona y Andalucía, donde residió varios meses. Entre sus últimos trabajos destacan las colecciones La boda y Vida en blanco y negro, escenas costumbristas de la cultura saharaui y la vida en los campamentos de refugiados.




Fadili, miembro de una larga saga de artesanos y artistas, era hermano de los reconocidos pintores Fadel Jalifa y Moulud Yeslem. Deja viuda y cuatro hijos de corta edad, tres niños y una niña.

Su hermano Fadel Jalifa destaca sobre Fadili que “trabajó con todas sus fuerzas y dedicó toda su producción artística a la causa saharaui, no hizo trabajos aparte de la difusión de nuestra causa y del avance del arte en el Sahara Occidental”.


Descanse en paz Fadili Yeslem.

Gloria a los buscadores de belleza (Ángel Petisme)

Fonte: pintoressaharauis.blogspot.com

domingo, 13 de novembro de 2011

Aminatu Haidar, Premio René Cassin de Derechos Humanos



PAÍS VASCO 'Representa la lucha del pueblo saharaui'

Aminatu Haidar en una conferencia sobre 'Sáhara libre'.

Europa Press Madrid



Actualizado jueves 10/11/2011 14:01 horas

La activista y defensora de los derechos del pueblo saharaui Aminetu Haidar ha sido reconocida por el Gobierno vasco con el Premio René Cassin 2011 de Derechos Humanos. El fallo del jurado subraya que Haidar "representa la lucha del pueblo saharaui por la defensa de los Derechos Humanos" frente a unas autoridades marroquíes que "rompen con los derechos reconocidos por el Derecho Internacional y restringen las libertades de expresión, reunión y asociación".

Aminatu Haidar, según ha recordado en un comunicado el Departamento de Justicia y Administración Pública del Ejecutivo, permaneció encarcelada entre 1987 y 1991, sin que se conociera su paradero, y en 2005 resultó gravemente herida durante una manifestación. Fue detenida por las autoridades marroquíes en el hospital donde estaba ingresada y, posteriormente, fue trasladada a prisión. Permaneció en la cárcel durante varios meses y llevó a cabo una huelga de hambre que debilitó gravemente su salud.

En noviembre de 2009, cuando regresaba a su ciudad tras recibir en Nueva York el Premio al Coraje Civil 2009, de la Fundación Train, fue nuevamente detenida por las fuerzas policiales y de seguridad marroquíes en el aeropuerto de El Aaiún, Territorio No Autónomo del Sáhara Occidental. Posteriormente, fue expulsada de El Aaiún y protagonizó otra huelga de hambre en la propia terminal del aeropuerto de Lanzarote.

Candidata al Premio Sajarov de Derechos Humanos, mientras cumplía condena, fue galardona con el Premio Juan María Bandrés a la Defensa del Derecho de Asilo y la Solidaridad con los Refugiados, de la Comisión Española de Ayuda al Refugiado. Recientemente le ha sido concedido el Premio Silver Rose, de la alianza internacional de ONG Solidar por su sabor por la libertad y la dignidad humanas.

Labor "complicada"
El jurado destaca que la defensa de los derechos del pueblo saharahui "resulta aun más complicada y arriesgada para las mujeres saharauis que, desde su papel fundamental en el desarrollo de la vida tradicional, han sido y son objeto de graves abusos a sus derechos humanos".

En la concesión de este galardón a la persona de Aminetu Haidar se ha tenido también en consideración su condición de representante del colectivo de "activistas de Derechos Humanos en los territorios ocupados del Sáhara Occidental", tal y como señala su candidatura.

El jurado que ha otorgado el premio estaba integrado por la consejera de Justicia y Administración Pública, Idoia Mendia, la viceconsejera de Justicia, María Victoria Cinto, la directora de Derechos Humanos, Inés Ibáñez de Maeztu, y José Ángel Cuerda, Edmundo Rodríguez, María Oianguren, Silvia Escobar y Gorka Landaburu. El galardón, cuya finalidad es reconocer públicamente y premiar a aquellas personas o colectivos que con su trayectoria personal o profesional dan testimonio de su compromiso en la promoción, defensa y divulgación de los Derechos Humanos, consiste en una distinción honorífica, en un reconocimiento público y una dotación económica de 16.550 euros.

La denominación del premio recuerda la figura de René Cassin, principal inspirador de la Declaración Universal de los Derechos Humanos, en 1948, y que jugó un papel esencial en la elaboración del Convenio Europeo de Derechos Humanos de 1950. Galardonado con el premio Nóbel de la Paz en 1968 por su combate a favor de los Derechos Humanos, consagró el premio a la creación del Instituto Internacional de Derechos Humanos de Estrasburgo.

Fonte: www.elmundo.es